Hipócrates - Considerado por muitos, o Pai da Medicina

“Que o alimento seja o teu medicamento e que o teu medicamento seja o teu alimento.” Hipócrates
Há mais ou menos 2500 anos, no século V a.C., nasceu um homem que mudou o conceito de Medicina, transformando-a numa ciência. Esse homem foi Hipócrates, considerado ainda hoje o "Pai da Medicina".
Sabe-se muito pouco sobre a verdadeira vida de Hipócrates. Segundo dados dispersos por algumas obras de Platão e de outros autores, Hipócrates terá nascido na ilha grega de Cós em 460 a. C. e morrido em Larisa, Grécia, em 377 a. C. Apesar de muitos destes dados estarem relacionados com lendas, o que é facto é que Hipócrates foi, sem qualquer dúvida, o mais célebre médico da Grécia Antiga.

Diz-se que Hipócrates recebeu os primeiros ensinamentos do pai e para completar a sua formação, estudou Retórica e Filosofia.
Tendo estudado nos dois maiores centros médicos da época, Cós e Cnidos, e sendo dotado de extraordinário espírito de observação e profunda dedicação ao trabalho, Hipócrates foi considerado o maior médico de sua época, tendo-lhe sido atribuído (ou à sua escola de Cós) a autoria de uma coleção de obras, Corpus Hippocraticum, com cerca de 60 livros e monografias. Este trabalho notável de sistematização apoia-se numa observação cuidadosa dos sintomas das doenças e abarca vários domínios dos conhecimentos médicos da época, que vão desde a anatomia até à fisiologia, passando pelas doenças psíquicas. «Ares, Águas e Lugares» pode ser considerado o primeiro tratado de saúde pública, de geografia médica, de climatologia e fisioterapia.
Hipócrates procurou basear a Medicina na experiência clínica, introduzindo um tipo de racionalidade lógica e rompendo, deste modo, com a prática da Medicina da sua época que se apoiava na magia e na religião.
Hipócrates rompeu com esta visão sobrenatural, atribuindo uma génese orgânica a aspectos psíquicos dos indivíduos e inter-relacionando uma causa biológica com um tipo de personalidade. A sua importância na Medicina é comparada à que Sócrates teve para a Filosofia e o facto de ter consagrado uma parte importante do seu trabalho às doenças psíquicas, levou diversos autores contemporâneos a considerarem que Hipócrates teve um papel fulcral no aparecimento e desenvolvimento da Psicologia.

Sua fama como clínico começou em 430-429 a.C., durante a grande peste que assolou a cidade de Atenas. A epidemia teria se extinguido depois que Hipócrates mandou acender fogueiras, por toda a cidade. Para alguns, Hipócrates partiu da observação de que os artesãos, obrigados por profissão a manter-se próximos do fogo, pareciam imunes ao contágio da doença. O sábio ordenou que se acendessem fogueiras como forma de estender a imunidade a toda a população.

Um dos conceitos terapêuticos de Hipócrates foi a distinção entre sintomas e doenças. Para ele, como para os médicos actuais, os sintomas são apenas manifestações exteriores de algo que está a ocorrer no organismo. O trabalho de Hipócrates tinha por objetivo descobrir como funcionava o corpo humano, levando sempre em conta a acção do ambiente e da alimentação.
“Que o alimento seja o teu medicamento e que o teu medicamento seja o teu alimento.”
Hipócrates criou uma escola onde a Medicina passou a ser uma Ciência e, dessa maneira, pressuponha apenas processos racionais. Elaborou e cumpriu um rigoroso código de ética, cujos preceitos estão contidos no juramento que até hoje os médicos consagram ao se formar onde se comprometem, entre outros aspectos, a defender a prática médica e a exercer a sua arte com dedicação, ética e honestidade
Eis alguns pontos importantes do famoso “Juramento de Hipócrates”:
"Prometo que, ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime.
Se eu cumprir esse juramento com fidelidade, goze eu a minha vida e minha arte boa reputação entre os homens e para sempre. Se dele me afastar ou infringi-lo, suceda-me o contrário."
Hipócrates permaneceu assim, através dos séculos, não só pela ciência mas sobretudo pelas suas qualidades morais, o tipo de médico ideal.
Sábio e humano, unia em si a tranquilidade, a seriedade, a reflexão e a discrição, valores extremamente importantes então e não menos importantes nos dias de hoje. 
Bruno Gonçalves (Naturopata)